Introdução
à Corrosão em peças de concreto
A corrosão
é um processo eletroquímico que se instala quando houver
a presença de quatro condições: dois metais, ou duas posições
no mesmo metal, em diferentes níveis de energia; um eletrólito,
isto é, meio ou solução condutora de íons; a presença de
oxigênio e uma conexão metálica.
Nas peças
de concreto armado é o que se dá: as armaduras apresentam
níveis de energia diferentes, o concreto atua como eletrólito,
pois é um pseudo-sólido; o oxigênio é o da atmosfera e o
condutor metálico é a própria ferragem.
As diferenças
de potencial em dois pontos quaisquer das armaduras podem
ter sido originadas pela diferença de aeração, umidade,
concentração salina ou tensão no concreto e no aço.
Desta forma,
são desencadeadas micropilhas em série, o que corresponde
à corrosão generalizada.
Os
Sintomas
Os principais
sintomas são:
Fissuras
na direção paralela às armaduras corroídas, seguidas de
lascamento do concreto, pois os óxidos e hidróxidos de ferro
produzidos são expansivos, provocando tração no concreto;
Manchas
marrom-vermelho-acastanhadas nas bordas das fissuras e na
superfície do concreto.
As reações
No anodo
ocorre a ionização do ferro: 2 Fe ®
2 Fe++ (+) 4 e–
A seguir,
dá-se a formação do gás hidrogênio: 2 H+ (+)
2e– ®
H2
E, se em
presença do oxigênio, produz água: 4 H+ (+) 4
e– (+) O2 ®
H2O, que estimula o restante das
reações, produzindo o hidróxido ferroso (de cor amarelada):
Fe++ (+) 2H2O ®
Fe(OH)2 (+) 2H+ (+)
2e–.
No catodo,
na presença do oxigênio e da água ocorre: O2
+ H2O + 4 e– ®
4OH–, que reagirá com o ferro
ionizado para formar Fe(OH)3, hidróxido férrico
(de cor vermelho-marrom) ou o óxido férrico Fe2O3,
sendo ambos expansivos. O Fe é o ferro metálico, principal
constituinte do aço. O Fe++ é o cátion ferroso
dissolvido no eletrólito e que carrega cargas elétricas
positivas. O O2 é o oxigênio dissolvido no eletrólito
e o OH– é o íon hidroxila no eletrólito, que
carrega as cargas elétricas negativas.
Durante
as reações, as cargas elétricas movem-se como elétrons ao
longo das armaduras e como íons ao longo do eletrólito.
Mas, para que os íons possam se mover pela solução, é necessário
que tenham mobilidade iônica, quer dizer, estejam hidratados.
E isso ocorre, quase sempre, em um meio solvatante universal
que é a água.
Os
agentes Agressivos
A corrosão
pode ser acelerada por agentes agressivos contidos ou absorvidos
pelo concreto.
Entre eles
há os íons cloretos Cl–, íons sulfetos S–,
dióxido de carbono CO2, nitritos NO–3,
gás sulfídrico H2S, cátion amônio NH, óxidos
de enxofre SO2 e SO3, fuligem e outros.
As
Proteções dadas pelo Concreto
As proteções
contra a corrosão podem ser de dois tipos:
Compreende-se
como proteção química, a representada pelo alto teor alcalino
do hidróxido de cálcio Ca(OH)2, solúvel em água
e também conhecido como portlandita, produzido pela hidratação
do trissilicato de cálcio C3S e dissilicato de
cálcio C2S, ambos componentes do grão de cimento.
Tal hidratação produz, aproximadamente, 100 kg de hidróxido
de cálcio por m3 de concreto.
Compreende-se
como proteção física, a representada pelo correto cobrimento
das armaduras, o adensamento adequado e, principalmente,
o baixo fator água-cimento, responsável pela impermeabilização
do concreto perante os agentes agressivos.
A
Proteção Catódica (PC)
A única
maneira de interromper processos de corrosão em estruturas
de concreto armado é colocar-se outro metal para corroer
em lugar ao aço. Esta maneira é chamada Proteção Catódica.
O dimensionamento
da PC para estruturas de concreto armado deve levar em conta,
primeiramente, a densidade da corrente, isto é, a corrente
que irá fluir na pilha por unidade de área do anodo para
interromper a corrosão nas armaduras.
A seguir,
deverá considerar a situação do binômio concreto/armaduras
que se deseja proteger.
Em seguida,
temos a considerar a resistividade do concreto, a durabilidade
desejada e o tipo de anodo que se deseja empregar.
Deve-se
assim, efetuar o mapeamento dos potenciais de corrosão da
estrutura para dimensionar um sistema de proteção catódica.
Da escolha
do tipo de anodo, as soluções têm recaído sobre o metal
zinco pois sua voltagem é mais negativa que -700 mV, necessária
para injetar corrente suficiente para a proteção das armaduras.
Evidentemente
a densidade de corrente necessária depende do estado de
deterioração das armaduras, expressa na sua taxa de corrosão,
no estado de contaminação do concreto e do ambiente que
cerca esta estrutura.
Se o concreto
apresenta-se alcalino, com poucos sinais de contaminação
por cloretos, com taxa de difusão muito pequena e potenciais
de corrosão não-comprometedores, precisará de uma densidade
de corrente abaixo de 1 mA/m2 de armadura. Entretanto,
se estivermos considerando um outro concreto com camada
de cobrimento insuficiente, em ambiente úmido e calorento,
com alto nível de oxigênio e maresia, onde os ensaios levantaram
quantidade alta de íons cloreto na massa de concreto, então
teremos de injetar algumas dezenas de mA/m2 de
armaduras.
Pastilhas, Fios e Telas Galvânicas
Quando se
instala um anodo de sacrifício a base de pastilha ou tela
e se cobre esta região com concreto com o mesmo traço do
concreto anterior, o metal anódico empregado no anodo de sacrfício estará enviando corrente, através de massa da pastilha
para a armadura, retornando a corrente para o anodo através
dos arames de fixação.
Nesta situação,
a armadura estará protegida da corrosão com um potencial
da ordem de -700 a -900 mV. Dizemos que a armadura sofreu
uma polarização.
É necessária
a proteção de acordo com o mapeamento da situação de corrosão
estimada.
No mercado
estão disponíveis anodos de sacrifício formados por ligas anódicas
galvânicas, a base de zinco, envoltas em matriz cimentícea
ativada, quanto telas do mesmo material.
Assim que
são instaladas, os elementos galvânicos interrompem a
corrosão do aço e sacrificam-se, corroendo-se de forma extremamente
lenta, pois as ligas de zinco corroem-se em velocidade menor que o ferro na proporção de 10 a 20 vezes menos..
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